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Achei que jamais sairia essa continuação, já estou com o celular em mãos e, ainda que eu leve um tempo pra voltar a me acostumar com a rotina, estou voltando a ser o que era. Mas tá tudo estranho, até mesmo pra explicar.
Ora, ora, se não é o Henrique por aqui de novo. E pra garantir ser ele mesmo tenta pedir desculpas por viver e não consegue, é ele mesmo!
A primeira reação ao recuperar tudo foi tentar salvar em algum canto seguro, alguns arquivos em até dois ou mais lugares. Então cheguei na vez do bloco de notas e a sensação foi diferente. Ao contrário das fotos, vídeos e documentos o bloco de notas costumava ser eu comigo mesmo, me dei conta de que o valor que eu dava a isso era diferente porém não sabia mesurar.
Ah, pronto. Depois de toda a correria vai desvalorizar o esforço porque não ficou do seu jeito. Me incomodou por tanto tempo pra nada.
Depois de praticamente duas semanas sem meu hobby de quase todas as noites eu sinto como se não fosse eu que escrevia e anotava coisas para o Henrique do futuro. Na coragem de romper com os contatos virtuais e nos afazeres que a urgência (por diversas vezes inexistente) me trazia acabei deixando ir junto e perdi o ponto da retomada. O lado ruim de planejar o fim é que a gente não considera o recomeço.
Quando você abriu o texto não tinha combinado que iria por este lado, estou te estranhando.
Numa tarde em que eu deveria ter me reorganizado o sentimento foi de estabelecer rotas para um passageiro que não existe. Foi tão fácil a ruptura que se abriu uma distância impossível de voltar. A sensação da liberdade nos fez perder o objetivo, por melhor que seja.
Quem é você?
Eu não sei. Não entendo ainda como o ambiente no qual tudo está em seu devido lugar se tornou hostil. A hostilidade veio de mim, de nós? O social é morto, você sabe, mas se o individual também for o que nos sobra? Era pra ter pensado menos, era pra ter lido mais uma vez o bloco de notas, desta vez tudo o que quero é ter apagado tudo é começar do zero, como se duas semanas valessem mais do que todos os anos. A que custo pagar pra voltar ao que era antes? Por qual razão seguir? Eu não sei!
Espera, nem que seja por mais alguns dias. Se você não se entender eu não existo.